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Mostrando postagens de Junho, 2017

É junho

Mesmo que o poeta tenha me pedido pra deixar Junho para São João, eu não posso deixar de lado minhas crises existenciais. Elas vêem, não importa a data. Há na minha mente um silêncio sepulcral. Minha visão torrencial transforma minha existência em pequenos fragmentos de quem desejei ser, parece que meus lábios não desejam o delicioso gosto de um milho verde. Parece que depois de 25 anos ele só almeja um café amargo. Parece que tudo invade meu corpo como demônios que se alojam sem pedir licença. Muitos viajantes pararam nesta estalagem, porém nenhum quis transformá-la em lar. É difícil fazer morada em um corpo apodrecido. Não há nada nem ninguém que não tenha se aquecido em meu templo moribundo desejando tirar a pouca doçura que tinha. Todos se aproximam, todos dizem amar este lar, mas poucos o vêem assim, não passo de um ser intrigante cuja existência complexa desperta a curiosidade de mentes depravadas e cruéis. Tu és mais um ser que se aproximasse para me observar, medir, pesar, jul…

Devaneios sobre o amor

Ninguém vem ao mundo pra amar duas vezes.
Sou uma mulher moderna, com concepções progressistas, mas que não avançou muito no discurso amoroso. Eu não sei bem o que dizer sobre o amor, como ele é, como acontece. Mas é fato que eu não acredito que esse burburinho sobre afetos entre dois seres pode ser chamado de amor.  Aprendi com Jane Austen que ele ultrapassa barreiras, está para além das convenções. Shakespeare me mostrou que ele supera a própria vida. Com ela aprendi que o amor é construção. Com meus erros aprendi que ele não é suficiente se algo te faz perder a razão. Ninguém ama duas vezes, ninguém acredite nessa loucura. É demasiado romântico pensar, mas o que é que tem?  As pessoas perderam o romance, acham piegas. Os livros acadêmicos emburrecem o amor, a tecnologia o esfriou...
Parece que o amor está fora de moda. É cômico amar, é até vergonhoso para quem ama. Eu já tive minha chance no amor, e por muito quis ser o amor desse amor, mas nem tudo na vida é fácil. Às vezes sua …

Nem todo amor é suficiente

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que possamos imaginar." Parece o preâmbulo de uma história de terror, mas não irei falar sobre as criaturas que habitaram minha mente durante a adolescência e início da vida adulta. Essa breve história trata-se de uma história de traição. É ilusório pensar, quiçá acreditar que alguém possa te amar, principalmente quando já te condenaram a ser um monstro que viverá na solidão. Eu fui uma dessas tolas que acreditou no amor.
Não vim aqui dizer que sou um anjo que foi condenada injustamente. Sim, sou eu a pessoa que mais mentiu pros pais, que confessou se afetar por alguém quando não passou de um momento pueril. Sim essa sou eu, a mesma que quando abandonada procurou consolo sexual nas mais vis criaturas. Essa sou eu, moldada a imperfeição humana. Não há nada que ninguém possa fazer por mim eu não escolhi ser assim, mas permiti. Eu disse sim quando o primeiro cara me pediu um beijo, eu deixei que o segundo me traísse e o terceiro me difa…