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Mostrando postagens de 2016

Um corpo sem espírito é sinônimo de feiura

Sempre ocorrerão aquelas situações que nos fazem refletir sobre algo. Eu sou Aline, tenho 24 anos, meu mapa astral diz que sou pisciana com ascendência em Áries e lua em Capricórnio - nem sei o que isso quer dizer ao certo -, sou estudante de filosofia em uma universidade pública, moro com meus pais, tenho uma namorada há mais dois anos - que por sinal amo em demasia-, sou apaixonada por música, literatura, cultura africana, russa, italiana, essa última, sobretudo, é por causa da comida - adoro massas. Além disso, sou gorda, e isso que me fez refleti sobre as pessoas e os padrões estéticos.  Alguém me chamaria de louca se eu dissesse que cabelo liso é sem graça? Jogariam pedra em mim se dissesse que mulher com muito peito e bunda, coxas torneadas e barriga "negativa", não são atraentes para mim?  Afinal, me apaixonei por uma mulher "franzina"*, que supera em beleza qualquer "panicat". A propósito, o que é beleza? O que querem dizer quando dizem que pessoa …

Amor putrefato

Quando percebemos que não significamos mais.
É duro aceitar que o amor não foi suficiente, que a vida encarregou-se de confundir.
Meu corpo não mais será tocado. Todo prazer deve ser dele apartado.
Já não há esperanças para plantar em meu jardim.
Em meu quarto há uma perene escuridão, e nela me afogarei.
Não, Tchay!
Não há mais motivos para ouvir C.V.O d major.
Não enxergo o amor que me apresentasse um dia!
Hoje só há essa dor que assola meu peito.
O amor me agarrou por trás, prendeu-me o fôlego e fugiu. Percorri um árduo caminho.
Chorei duras lágrimas.
Senti falta dos sorrisos tão sinceros.
Da esperança que havia em teus olhos.
Ansiava por um beijo, mas nem carinho recebi.
O amor acusou-me de coisas terríveis, que nem se quer pensei.
Amar uma luz ofuscada pela dor, não é fácil.
Os vermes secam só de alcançar o aroma putrefato desse amor.
Nefasto sorriso deu-me.
Horrendo e fracassado desejo, roubaste o viço desta jovem que chora estas palavras. Chamou-me.
Sorriu-me
A…

Sobre o medo

Disseram-me que o medo nos protege.
Descobri, recentemente, o equívoco dessa afirmativa. O medo não é uma espécie de proteção. Como pode algo que nos anula nos proteger? O medo nos expõe, muitas vezes ao ridículo. Ao mais vergonhoso traço de nossa personalidade. Nunca vi alguém que vive com medo estar livre da humilhação resultada dos seus atos. Nunca senti verdade no olhar de quem tem medo.
Quem tem medo se esconde, pelo risco da vulnerabilidade. Não insistam em me dizer que o medo nos faz bem.
Não falo daquele medo de percorrer - sozinha - estradas desconhecidas.
Falo desse medo de falar sobre os nossos sentimentos. Falar do que sentimos, de fato.
É muito difícil, é muito cruel.
Quem quer dizer que transa por desejo, quando só transa por amor?
Nossos jovens são cruéis.
Mataria a alma daquele que assume tal afirmativa. Então, não venham me dizer para não ter medo!
Eu tenho medo!
Sou medrosa mesmo!
Tenho medo de encarar o amor novamente, me camuflo numa postura confusa que não c…

Num bosque sem luz

Não se trata de uma confissão.
Mas eu só queria um sorriso sincero neste dia.
Eu precisava olhar aqueles olhos.
Ansiava saber dos desejos dele. Como posso ser tão tola?
Acreditar em um maldito qualquer.
Esperar que as pessoas vejam além de uma sombra fabricada.
Deveria não doer nada, mas aquela horrenda atitude me tirou dos eixos.
Eu olhei pra você, seu maldito. Sua atitude foi vil, estúpida, covarde...
Em uma floresta encantada, solitários, você quis meus olhos.
Ao andar num bosque repleto de duendes, você recusou meu riso.
Oh, pobre coitado...
Forasteiro e malfadado gnomo, és mais que um belo sorriso...
És o cheiro da putrefação dos teus desejos.

II

Eu estava distante.
Vi o futuro numa borra de café.
Que diferença faz?
A duende está, mas é como se não estivesse.
E como se a bruta flor fosse velada pela sobriedade do olhar. Arranca!
Tire de ti o pudor.
Lança-te no fati.
Essa embriaguez não é para ti, nua.
Duende perversa, saia pela janela que abri.
Foge!
Revela a todos a vulnerabilidade. Eu fujo do medo de vê-la indo. Não me obrigue.
Permita-me um último toque.
Adeus, disse.
Meu maldito e miserável coração profanou.
Ele se fez presente na eminência da tua ausência. Nada impediu, largado pela frustração.
Abriu a porta.
Entrou.
Fechando-a...
Sorriu contente.
Nem saudade sentiu.

I

Quê procuras? Minha voz. Outrora aguda que se expandia dentro de mim, e agora, se esconde em tua presença.
Diante de nós, nestes momentos impertinentes, minha voz fica latente na caverna, ecoa de maneira solitária. Quê é vida consentida? Silêncio.
Minha voz não existe.
Aprendi que o silêncio é meu melhor.
Você "enxerga" todo barulho capaz de deixar meu corpo mudo.
Mas, ignoras e adentra um terreno que não foste permitida. Por que não entrar? O incômodo é inconsciente, não sei por qual janela sair.
Sempre entrego minhas viagens aos elfos, mas eles parecem não querer.
E tu chegas, como uma duende do mal e entra sem ser convidada. Será algo mau resolvido em vidas passadas? Não sei.
Eu tenho medo de você em alguns momentos.
Parece que você me conhece como um artista conhece sua arte.
Você me tem nas entrelinhas de suas mãos, porém, não sabe o que fazer. Me diz o que pensas? Não. Você não vai gostar de saber.
Eu me calo.
Eu aceito.
Mas não consenti que "ent…

De volta pra casa

Vai que seja impaciência.  Tenho andado tão "vazia". As coisas estão sem sentido algum.  O sorriso não alegra meu peito. 

Meus livros não me interessam tanto. Meus discos estão viciados em outra de mim, que não é essa desconhecida.  Um abraço não desperta sentimentos.  Minha motocicleta não funciona.  Minha lua está decadente.

Não há nenhuma dúvida para sanar. Não há problemas para resolver.  Só vazio.  Há uma tranquilidade inquietante.  Não há desespero para abrandar.

Eu disse a tu que iria caminhar e nem fui. Não quero refletir. Não quero ser feliz, é tão antinatural.  Minha existência só se efetiva na melancolia.  Meus pensamentos só repousam na escrita.

Eu falei sobre tu para mim, não reconheci nada. Tu parece não representar nada mais.  Aline, tu parece o não ser de mim.  Saia pela porta central, terá alguém a tua espera.  Regressa ao teu paraíso.

Hoje a festa não saiu

Hoje não teve festa. Não houve grandes acontecimentos.  Ele não agradeceu o sorriso.  Ele não devolveu o olhar.  Soube logo que ela havia lembrado, mas ele esqueceu de falar.

Houve um tempo em que eles se entendiam, um olhar bastava.  Mas, como sabemos, ele esqueceu  de olhar.
A solidão sempre foi sua companhia, mas ela sempre oferecia luz para ele "animar-se".
Porém,  ela ficou confusa.  O desejo não conseguia voltar.  Outros olhares chegavam até ela, mas só o dele ela queria encontrar.

Sem afeto e com medo

É muito amor em uma "caixa" tão solitária.  Já não basta o desespero do querer, há de ter a solidão pra assolar o peito.  Disseram-me que nesta "região" mora uma vida, que não pode ser nutrida. Mesmo a ambrosia não apartará dela o fim.
Amolece. Acelera.  Adormece.  Morre.  Não a história de minha vida, mas a vida do coração.
Cheio de histórias de amores profanos.  Repleto do cheiro amargo do desamor.  Nenhuma escuridão será precisamente cruel, se a vida já se foi.  Tem pessoas que se vão sem morrer.  Essas porque nunca habitaram qualquer coração.  Não se expressaram, suficientemente, para outro coração reconhecer.

Ao entrar no paraíso

Eu voltaria atrás.  Eu diria sim novamente.  Não buscaria respostas, pois o toque e o sorriso, eram suficientes.  Eu jamais abriria a porta se não tivesse enxergado verdades.  Eu tomaria todas as dores novamente.

Mostraria o mundo outra vez, se as promessas fossem verdadeiras.  Eu reconstruiria outro reino, se os sentimentos fossem reais.  Eu não duvidaria, se a honestidade fosse primordial em tua vida.

Eu daria um passo atrás, se não fosse o gosto fálico do presente.  Eu pediria tua mão, se ela não estivesse em outros corpos.  Eu te pediria perdão, se enxergasse o erro inexistente.  Buscaria todas as Lotus, se percebesse dignidade.  Eu morreria "pobre", se tua riqueza não fosse tão superficial.

Acenderam.  Alimentaram.  Enfraqueceram.  Apagaram.  E nós?  Permitimos.