Pular para o conteúdo principal

A calmaria não existe no mar!




Enfeites de búzios; sorriso de púrpura; olhos de flor; assim era ela.
Sorrisos embriagados, ela deixou pra mim...
Não mais que isso!
Suas pernas sempre se encontravam, embriagadas pela nudez de sua vergonha.
Seus cabelos dançantes, sempre dançaram meu maracatu tristonho.
Tomasse meu banho de jurema, me deixasse sem alma.
Eu que tinha a força do cavaleiro de Aruanda...
Corro do som dos atabaques.
Nunca imaginei que ela, logo ela...
Tão sedutora, foi me deixando sem ar.
Seu olhar determinou...
Seu olhar penetrou minha alma.
Tão fatal como a embriaguez do amor.
Que louco fui, acreditei em alguém que cantava pro mar.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma doce narrativa ofertada a mim

Aprendi com a doce e paciente voz da minha mãe - ao ler ao pé do meu ouvido, enquanto eu me enfronhava no quase adormecer e na atenção dada ao som da narrativa - que os contos, as poesias, as estórias são importantes para a imaginação. Sim! E como eram! Hoje, acredito que seja por isso que eu não gostava de contos de princesas ou qualquer narrativa que começavam com: Era uma vez, mesmo sendo uma criança, sem maturidade para consolidar um juízo de valor ou de gosto, eu acreditava que a estória era óbvia, que já teria um início, meio e fim, mesmo com esse: e assim foram felizes para sempre. Eu não me contentava, não me satisfazia, queria ir além daquelas linhas, queria ir além da voz da minha mãe, mesmo que seu olhar me acalentasse dizendo: "a estória acaba aqui e eles foram felizes, isso é o que importa".
Cresci, refutei, sonhei, imaginei... E a expectativa sobre o óbvio? Sobre o destino de ser feliz? Isso continuava a me perturbar, eu me sentia como uma navalha que deveria se…

O que devo a ti?

Aquele foi o momento em que me deparei com os conchavos sexistas e fiquei totalmente estática... Não havia reação, só um vazio afetivo que me fez desejar não ter conhecido tal ser.
Bem, é assim que começa essa breve narrativa. Houve um tempo em que eu o admirei – o admirei profundamente –, mas era uma admiração apressada, tão peculiar a uma estudante universitária com imensa imaturidade intelectual – afinal, nós mulheres somos ensinadas a admirar os homens em sua perfeita e essencialgrandeza – que anos depois foi sendo amenizada por experiências acadêmicas dolorosas e singulares.
Pois bem, o que aconteceu para tal admiração se dissipar? Foi tão claro como o céu em uma típica manhã de verão. Eu o conheci fora da academia, eu conheci sua vida. Foi bastante repentina toda a descoberta, em 10 minutos eu descobri que toda superficialidade e dissimulação da qual eu suspeitava há meses eram tão reais como as palavras que aqui escrevo. Eu fui tomada por uma narrativa dolorosa de um relacionament…

Eu costumava sorrir em dias de sol

Sempre achei que aos 25 eu estaria morando na minha casa, vivendo do meu trabalho. Porém, a gente se engana na vida. Eu fracassei, é a sentença que ecoa em minha mente. A sociedade cobra muito da gente, e nosso meio familiar e social está inclinado a fazer essa cobrança. Contudo a conta é muito alta e o saldo é sempre inferior ao débito. Eu vivo sendo cobrada por todos. Ninguém está insento de me fazer tal cobrança, muitas vezes é tão espontâneo que eles e elas nem percebem. Os dias vão se arrastando e depois de ser tão questionada vou desenvolvendo monstros dentro de mim que a psicologia chama de transtornos, eles são bem presentes em minha vida, estão comigo desde a minha infância. Muitas pessoas elogiam minha presença, amizade e afeto, porém, não enxergo tais coisas em mim, na maioria das vezes vejo apenas os monstros, a Aline sendo "manipulada" por eles, vejo apenas crueldade. No ápice do meu desespero, após as acusações e condenações, percebo tudo muito límpido ao meu r…