Pular para o conteúdo principal

Tchai





E mais uma vez, foi Tchaikovsky quem  me salvou. Procurei em teus olhos um abrigo, contudo, você fugiu! Eu que pensei em ter você eternamente, descobri, que a eternidade é uma ilusão. Aquela sinfonia de Bach me entristeceu, e aquele perverso niilismo tomou conta de mim. Eu que costumava cantar o amor. Percebi que o mesmo, entristece as pessoas, machuca, empobrece, e por vezes, nos lança num marasmo sem fim.
A confusão que esse sentimento egoísta causou-me, me levou a crer que eu não sabia do amor.
A confusão me fez odiar Shakespeare, eu vi que aquilo não era amor.
Shakespeare enganou-me a adolescência inteira.
Mas conheci Tchai, um homem confuso, viveu sem amores.
E os rumores levaram sua vida...
Mas antes de ir, ele me salvou.
Deixou seu concerto in D Major for violin and orchestra.
Tchai me mostrou que o amor pode ser vivido na música.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma doce narrativa ofertada a mim

Aprendi com a doce e paciente voz da minha mãe - ao ler ao pé do meu ouvido, enquanto eu me enfronhava no quase adormecer e na atenção dada ao som da narrativa - que os contos, as poesias, as estórias são importantes para a imaginação. Sim! E como eram! Hoje, acredito que seja por isso que eu não gostava de contos de princesas ou qualquer narrativa que começavam com: Era uma vez, mesmo sendo uma criança, sem maturidade para consolidar um juízo de valor ou de gosto, eu acreditava que a estória era óbvia, que já teria um início, meio e fim, mesmo com esse: e assim foram felizes para sempre. Eu não me contentava, não me satisfazia, queria ir além daquelas linhas, queria ir além da voz da minha mãe, mesmo que seu olhar me acalentasse dizendo: "a estória acaba aqui e eles foram felizes, isso é o que importa".
Cresci, refutei, sonhei, imaginei... E a expectativa sobre o óbvio? Sobre o destino de ser feliz? Isso continuava a me perturbar, eu me sentia como uma navalha que deveria se…

Eu costumava sorrir em dias de sol

Sempre achei que aos 25 eu estaria morando na minha casa, vivendo do meu trabalho. Porém, a gente se engana na vida. Eu fracassei, é a sentença que ecoa em minha mente. A sociedade cobra muito da gente, e nosso meio familiar e social está inclinado a fazer essa cobrança. Contudo a conta é muito alta e o saldo é sempre inferior ao débito. Eu vivo sendo cobrada por todos. Ninguém está insento de me fazer tal cobrança, muitas vezes é tão espontâneo que eles e elas nem percebem. Os dias vão se arrastando e depois de ser tão questionada vou desenvolvendo monstros dentro de mim que a psicologia chama de transtornos, eles são bem presentes em minha vida, estão comigo desde a minha infância. Muitas pessoas elogiam minha presença, amizade e afeto, porém, não enxergo tais coisas em mim, na maioria das vezes vejo apenas os monstros, a Aline sendo "manipulada" por eles, vejo apenas crueldade. No ápice do meu desespero, após as acusações e condenações, percebo tudo muito límpido ao meu r…

É junho

Mesmo que o poeta tenha me pedido pra deixar Junho para São João, eu não posso deixar de lado minhas crises existenciais. Elas vêem, não importa a data. Há na minha mente um silêncio sepulcral. Minha visão torrencial transforma minha existência em pequenos fragmentos de quem desejei ser, parece que meus lábios não desejam o delicioso gosto de um milho verde. Parece que depois de 25 anos ele só almeja um café amargo. Parece que tudo invade meu corpo como demônios que se alojam sem pedir licença. Muitos viajantes pararam nesta estalagem, porém nenhum quis transformá-la em lar. É difícil fazer morada em um corpo apodrecido. Não há nada nem ninguém que não tenha se aquecido em meu templo moribundo desejando tirar a pouca doçura que tinha. Todos se aproximam, todos dizem amar este lar, mas poucos o vêem assim, não passo de um ser intrigante cuja existência complexa desperta a curiosidade de mentes depravadas e cruéis. Tu és mais um ser que se aproximasse para me observar, medir, pesar, jul…